AUTO ESTIMA
Tire as teias da mágoa da infância
"Sua sombrancelha é bonita"...
Essa foi a única frase que eu ouvi da minha tia avó, freira, que veio nos visitar depois de muito tempo e pediu para que eu tirasse o cabelo da cara para ver meu rosto. Eu devia ter uns 11 anos. Naquele momento eu constatei o que eu já sabia: Eu era feia!
Sim, a infância pode ser cruel e a minha não ficou muito longe disso. E o que acontece de ruim por lá, principalmente o que vem das mensagens e atitudes de quem você ama, grudarão na sua memória como aqueles cracas do navio naufragado. É nessa hora que você constrói ou não o seu valor.
Então, não adianta alguém chegar, te olhar nos olhos e dizer: "Baixa auto estima? Mas você é bonita, inteligente e bem sucedida", por que se você teve uma infância "meiabocation" isso de nada vai adiantar. E a pessoa vai ficar sem entender mesmo e deixa pra lá. Marcas que nem o melhor do Photoshop disfarça.
Eu levei vários outros "toins" nessa fase da vida: A rejeição de M. D. (meu primeiro amor platônico), o professor de História, que me chamava de 'feiura" na hora da chamada, o pônei que meu pai me prometeu aos 09 anos (com que sonhei tantas noites e nunca chegou), o bullying dos colegas de classe porque minha família não tinha grana na época, o sofrimento da minha mãe que se contentava com as migalhas de amor que meu pai dava e por ai vai...
Portanto, se é para começar a aumentar a auto estima, a gente tem que se jogar no sótão da infância e dar uma boa limpada nessas mágoas empoiradas e cheias de ácaros lá de trás. E ai, como dói!
Então, vamos lá enfrentar esta parada. Dói mas, liberta.
Gisela Rao
Autora do Livro 'Não comi, não rezei, mas, me amei'

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